CORDEL DA VÓ MARIA – ENCAMINHADO POR ALZIRA MARTNS.

MEUS PREZADOS REIS MOREIRA E ALZIRA MARTINS, E A TODOS OS FAMILIARES  FAÇO-OS SABER QUE ESTOU PUBLICANDO EM MEU BLOG -espaço ribeirojequeri – WORDPRESS, O CORDEL DA VÓ MARIA.

QUALQUER RESTRIÇÃO DA FAMÍLIA ,FINEZA COMUNICAR-ME, QUE VOLTAREI PARA A CX DE ARQUIVO.

ME ENCANTEI COM A ORIGINALIDADE. DONA MARIA DO CALIDONEO DEIXOU MARCAS INDELEVEIS. Veja que na sua história de vida, registra sua passagem, pelo Córrego Santo Antônio, onde costumo chamar Serra dos Ribeiros. A Serra dos Ribeiros localiza um pouco acima da Fazenda que um dia foi do Sr Calidoneo dos Reis Moreira.E a fazenda velha ,o engenho de fazer rapadura, ainda persiste por lá.

Em passados distantes, não sei da cronologia, mas tudo esta no texto, Essa guerreira mulher, com familiares aportaram-se nas terras de Itanhomi e ajudaram no desbravamento das coisas dificeis da vida. Em Itanhomi prosperaram e a família cresceu e desenvolveu.

De Itanhomi, rumaram para São Paulo, onde tambem empreenderam várias ações, tanto que muitos CALIDONEOS estão fixados na grande São Paulo.

Observo que a família CALIDONEOS, na verdade são REIS MOREIRA; Mas o cidadão CALIDONEO DOS REIS MOREIRA, virou uma marca tão forte, que a família virou FAMÍLIA CALIDONEO, o que é uma homenagem ao grande Patriarca. E por conseguinte a Sra MARIA , é considerada tambem um exemplo de Matriarca vencedora.

Por fim, ressalto que a família CALIDONEOs tinha naqueles tempos,o perfil de quando o lider migrava, todos iam com Ele; Foi assim quando de Jequeri p/Itanhomi e quando de Itanhomi p/São Paulo.

SEGUEM-SE O CORDEL———————-

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O CORDEL DA VÓ MARIA Os versos a seguir é uma cópia da transcrição dos originais escritos por Vó Maria narrando as peripécias de sua vida a partir suas primeiras recordações (1907) até ano de 1950. Existem pequenas diferenças entre o original e a transcrição. No caderno do original existem outros versos esparsos e não consegui encaixá-los lògicamente dentro da história. 1 Este são meu triste fado Nestas linhas vou contar, Pesso desculpa ao leitor Tanto que devo falar. 2 “Vou contar minha vida Com toda sinceridade, Os meus pais eram pobres Mas de caráter e honestidade” 3 Trabalhavas nos fazendeiros Para darmos que comer, Nunca passamos fomes Nos encinou a ler.” 4 Comparo os meus pobres pais Como os pássaros que têm ninhos, Só disias bôas palavras Ensinavas-nos bons caminhos 5 Daquelas bocas mimosas Só bôas palavras ouvi, Filhos, faça ao proscimo Tudo que queres para si. 6 Trago grande saudades Do solo que me viu nascer, De meus sete anos de idade Nunca mais eu ei de ver. 7 Saudades de duas palmeiras De nossa humilde casinha, Eras coberta de sapé Só quatro cômodo continha. 8 Este lugar querido É denomina Penha De lado uma cachoeira Lá nós buscávamos lenha. 9 Nasci em vinte e treis de maio No ano novecentos e um Éramos seis irmãos (nota 1) Já morreram alguns. 10 Treis que morreram Casou-me grande paixão, Duas irmams carinhosa Meu primogênito irmão. 11 Mamãe sorrindo disias Apertando minha mão Um ano de sua existência Roubou de você a certidão. 12 O ano de mil novecentos e sete Esteves meu pai que mudar, Precisavas de encinar Meus irmãos trabalhar. 13 Trabalhavas longe de casa Pra ganhar mil duzentos, Compravas de um tudo Pois não colhias mantimentos. 14 Nosso terreno eras pouco Terreno seco muito ingrato, Fomos para um fazendeiro Fazendo-nos bons contratos. 15 No dia doze de junho 1907 De casa meu pai saiu, Deixando-nos ternas saudades Abençou-nos se despediu. 16 Mamãe não achavas bom Papai partir este dia, Com medo do Eclipe Todos jornal noticia. (ilegível|) 17 Papai dises a mamãe Com Carinho e maciesa, (nota 2) Não tenhas medo do planeta São coisas da natureza. 18 Nota 1: Mamãe em um de seus versos dá como data de seu nascimento o ano de 1901. Contudo a partir de uma brincadeira de Vó Joaquina,( ver estrofe 11 deduz-se que a certidão roubou ”um ano de sua existência “, logo 1900 é a data correta como ela sempre dizia . Nota 2: Houve um eclipse total do sol em 10 de julho de 1907. 19 Voces ficam com Deus Breves venho vos buscar, Teixeiras é muito bonito Voces tem gostar. 20 Olhamos papai até sumir Grande tristeza nos surgiu, Saudades do irmão Zeca DE casa nunca saiu. 21 Bem, eras de manhã Mamãe e nos choravas, Papai em seu cavalo. Passos vagorosos andavas. 22 Saudades do irmão Manoel Grande falta me fazias, No colo do dócil irmão O primeiro sono eu dormias. 23 Disses minha mamãe Na cama tu vai dormir, Hoje não achas Manoel Para zelar por ti. 24 Na cama eu fui deitar Sempre triste soluçando Saudades do paizinho Parecias vê-lo chegando. 25 Dia doze de agosto 1908 Que alegria sem par, Chegou o irmão Manoel Com a condução pra nos levar. 26 O papai não pode ir Mandou ele em seu lugar, Estavas com um pé doente Não podias caminhar. 27 E no dia seguinte Aflita para ver a saída, A pobre da vovó Choravas a perder de vida. 28 Chegamos em Guaraciaba Eram quatro horas da tarde, (Nota 3) Passavam a mudança na barca Com grande dificuldade. Nota 3: Não havia ponte para atravessar o Rio Bacalhau naquela época.. 29 Chegando em Boa Vista Onze horas da noite bateu, Papai e dois velhinhos Muito alegres nos recebeu. 30 Fiquei muito surpreendida No momento em que cheguei, Saudades de meus avós e tios Muito longe lá deixei. 31 Lembro-me, bem, o papai No outro dia cedinho, Mostrou nós o engenho Esplicando-nos direitinho. 32 Eu por nunca ter visto Fiquei muito abismada, Em ver rapadura feita Agua –dente destilada. 33 Tenho saudades do papai Alhe tanto trabalhou, Não combinando com os patrões O ano seguinte mudou. 34 Dia no de junho 1909 Tenho saudades enfim, Saimos da Boa Vista Viemos para Bom Jardim. 35 Dona Clementina Abranches Chamou papai para lá. Para formar lavouras E com ela trabalhar. 36 D. Clementina ficou contente Quando nos viu chegar, Salvina não sabe ler (Nota 4) Seu Antônio vai encinar. 37 Primeiro de junho novecentos 11 Trago grande recordações, Abriu papai as aulas Para encinar os patrões. 38 Este dia fui as aulas Com prazer e alegria, Meus irmãos sabiam ler Eu que não sabia. Nota 4: Salvina era filha da patroa. 39 Lembro-me das palavras Que meu pai me disias, E das cartas de nomes Do próprio punho fasias. 40 Filha, presta atenção É fácil compreender, Olha as minhas palavras Mais tarde vai te valer. 41 Acentavas junto a mim Até as primeiras letras eu aprender, Hoje tenho grande saudades Jamais não vou esquecer. 42 Saudades de minha mamãe Daquelas palavras amadas, Hoje sei o que ela disias Porque sou uma mulher casada. 43 Saudades de meus pais Do gestos dele viver, Deu-nos bom exemplos Nos encinou sofrer. 44 Saudades do papai Juntos nós trabalhavas Gestos muito carinhosos Que de seu olhos brilhavas. 45 Chegando eu com a bóia Papai vinha me receber, Filhos deixa as enxadas É hora de nos comer. 46 Acentavas logo no canto Com seu prato na mão, Hoje tenho saudade Que me corta o coração. 47 O ano de vinte e dois Ano que me casei, Lembro-me dessa paçada Que sem pensar eu dei. 48 Casei velha mas inocente Sem saber o que fazias, Não lembrei das dificuldades Que mais tarde traserias. 49 Pensavas glórias futuras Não pensavas em crueldade, Nem lembrei-me deste titulo É o nome de maternidade. 50 Este título de mãe És um nome muito amado, Dá a vida para os filhos E nunca achas pesado. 51 Lembro destas palavras Que meus pais me disias, Se quer ter alegrias Trabalha semei e crias. 52 No escrever estas linhas Grandes setas corta o coração, Saudades do lar paterno DE meus queridos irmãos. 53 Saudades de meu pai Juntos nós trabalhavas, E do gesto carinosos Dos olhos dele brilhavas. 54 Gratidão devo a meu pai A ler me encinar Melhor coisa que deu-me Nada pode igualar. 55 A pena única amiga Com ela conto minha paixão, Só penço em Deus no céu Quando estou com ela na mão. 56 Com ela conta a paixão Ela com ninguém dises nada, Com ela desabafo o peito Quando estou contrariada. 57 Peguei nela para me casar Minha mão tanto tremeu, Nem a febre malêta Tremias mais do que eu. 58 Eu sai do lar paterno Ano e meio depois de casada, Fomos para uma casinha Em uma orrenda buracada. 59 Do lar paterno levei galinha e porco Só levei estas criaçãos Ele trouxe uma besta arreada (nota 4) Treis burrinhos na apartação. 60 Dois anos de casada Dois filhos tinhas ganhado, Melhor prenda que ganhei (nota 5) Zelavas com muito cuidado. 61 Fasias grandes economias Dia e noite a trabalhar, Resavas e pedias a Deus Para ele nos ajudar. 62 Vinte e dois de agosto de 1925 Mudamos para a Almecega, Viemos para perto do Serra Ser empreiteiro de Sô Neca. 63 Trabalhavas dia e noite Todos os dias sem falhar, Chegavas em casa cançado Nem os pés podias lavar. 64 Tudo isto é verdade Mentira não falarei, Os pés de Calidonio muitas vezes Com minhas mãos eu lavei. 65 Lavavas como minhas mãos Porque dele tinha dó, Ver nós em terras alheias E pobres como Job. 66 Eu não falo do Sô Neca Porque tenho algum juízo, Na hora de nossa saída È que nos deu prejuízo. 67 Sete anos alhi moramos Sem ele nos amolar, Quando vendeu a fazenda É que não quiz nos pagar 68 Heram treis contos de réis Tinhamos com ele guardado, Juntamos tostãos por tostãos Depois ficamos fintados. Nota 4: Calidonio deste esta época só andava de besta (mula). Nota 5: Estes filhos eram Nilza e Antonio (Tinim). 69 Sete anos alhi moramos Torno ainda repetir, Domingo para segunda Não nos deixavas dormir. 70 Ficavas sem dormir Vigiando nosso patrão, Estavas muito embriagado Podias cair no chão. 71 Muitas cousas eu relato Outras eu deixo ficar, O patrão não ia embora Não nos deixavas deitar. 72 Ficavas alhi gritando Disendo conversas feias, Tudo nós aceitavas Por estar em terras alheias. 73 Mandavas acender o fogo Pra casa esquentar, Nós ficavas vigiando Com medo dele queimar. 74 Eu ficavas sem dormir Sempre triste aborrecida, Quando o dia amanhecia Começavas eu com a lida. 75 Eu começavas a lida Dia inteiro sem parar, Muitos trabalhadores na roça Ainda o arroz para eu pilar. 76 Tenho saudades da Almecega Muitas mágoas alhi passei, Alem de tantos serviços Quatro filhos alhi criei. 77 Em vinte e seis Zizinha (nota 6) Como fiquei contente, Em vinte e sete o Manoel Em vinte e oito Vicente. Nota 6: Aqui precisamos de um esclarecimento pois a certidão de Zizinha diz que ela nasceu em 1925. Era praxe naquela época registrar os filhos como tendo mais idade para poder votar ou casar. 78 Desecete de Dezembro 931 Minha casa emfloreceu, Chegada de minha Nadir De manhã ela nasceu. 79 Onze filhos eu criei Só oito ficou para mim, Treis Deus levou la nos céus (nota 7) Naquele formoso jardim. 80 Oito filhos ficaram prá mim Agora eu vou falar, Alguns tens apelidos Pelo nome vou tratar. 81 Antonio Nilza e Vicentina Vicente Nélia e Nadir, Ainda dois mais pequenos José dos Reis e Nair. 82 Em trinta e dois mudamos Fomos para o Serra pequena povoação Alhi meu esposo fizestes Todas suas liquidações. (nota 8) 83 Alhi ficamos quatro meses Aflita para os dias paçar, Vendemos tudo que tínhamos Para treis contos de réis apurar. 84 Apurando tal dinheiro Não pude mais sucegar, Para empregar o dito Com mêdo dele acabar. 85 Ficando eu encomodada Alma de Sá Inácia fui rogar, Mandamos rezar uma missa Prá nosso caminho guiar. 86 Calidonio foi a Guaraciaba Pais e irmãos visitar, Luiz Lucindo fez oferta De um sítio para nós comprar. (nota 8a) 87 Calidonio não aparecias Por Beijinho mandei chamar, (nota 9) Estavas oferta de um sítio Está bom prá nos comprar. Nota 8: Estas liquidações se referem a cobrança de débitos em atraso dos cliente da farmácia do SR. Antonio Pedro. Nota 8ª: Este sítio ficava no Córrego de Santo Antonio no município, de Jequeri Minas Gerais, a 9Km da cidade. Nota 9: Beijinho era cunhado de mamãe casado com sua irmã Placedina. 88 Chegando no sítio agradou Perguntou por quanto vendias, Eras cinco conto de réis Para mim não darias. 89 Fazendo tal negócio Viemos para aqui com mudança, Tinhamos trinta e um anos de idade Pois ainda éramos crianças. 90 A vantage é cermos crianças Então não se agüentava, Trabalhavas distância de duas léguas Fazer tantas madrugadas. 91 O ano de trinta e dois (nota 10) Foi o ano da Revolução, Viemos para este lugar Nesta mesma ocasião 92 Meu esposo eras empregado De farmácia liquidante, Ficavamos alhi trabalhando Ainda sofrias com os intrigantes. 93 Fasias enredo com Prá chegar em casa zangado, Fasiamos grande economia E com o corpo muito cansado. 94 Fasias enredo com ele De nós tiam ambição Esforçavas o que podias Cuidavamos das obrigações. 95 Trabalhavas eu na enxada Junto de minhas crianças, Trabalhavanos todas semanas Sem ninguém dar confiança. Nota 10: Revolução Constitucionalista de 1932. São Paulo entrou em armas exigindo uma nova constituição para o Brasil. Perdeu a luta e uma nova constituição só foi promulgada em 1934. 96 Dia que tirava para soprar Para penerar feijão, Soprovas 80 alqueires no dia (nota 11) Meu corpo não eras poupado não. 97 Punha a gamela na cabeça Para levar no Antonio Firmino, Andavas toda semana Naquele longo caminho. 98 Sinco quilômetros de morro Dor nas costas pés pesados a caminhar, Chegavas lá tão cançada Nem podias converçar. 99 Tudo isto é verdade O caso foi sempre assim, Nos saiamos de madrugada Prá trabalhar no Bom-Fim. 100 De viver estou descrente Velha e muito acabada, Os olhos roxos e findos As faces toda enrugada. 101 Tudo isto são as provas Do mal que tenho passado, Ter trabalhado tanto E da sorte abandonado. 102 Pesso a Deus perseverança Que eu poça tolerar, Os transes de minha vida Prá mais tarde descançar. 103 Pesso Nossa Senhora Que tenha dó de mim, Daí-me descanso eterno Lua do céu sois jasmim. 104 Emplorava a Deus do ceu Para minha fé aumentar, Sofro com paciencia Até meu dia chegar. Nota 11: Um alqueire são quarenta litros e como um litro de feijão pesa aproximadamente um quilo, Vó Maria peneirava 3200 quilos de feijão num dia! 105 Chegando do dito dia Deixarei o mundo de zombaria, Prá outros de sorte gozarem Jás irei para campa fria. 106 Dezoito oito aqui estou Muito tenho trabalhado, (nota 12) De todos lugar quem morei Aqui menos tenho gozado. 107 Nada tenho gozado Feito grande economia, Só o que fiz de vantagem É ter criado a família. 108 Descrevo alguma cousa Nem tudo posso recitar, Se eu contar direitinho O leitor pode chorar. 109 Sinco filhos tenho solteiros Treis já se casou, Minha Zizinha mora aqui Nilza prá Mata mudou. (nota 13) 110 A mudança desta filha Muito tenho me acabado, Meu coração vive triste E meus olhos neblinados. 111 Viver minha (filha) ausente (nota 14) Que alegria poço ter, Meu Deus tirai-me a vida Eu não quero mais viver. 112 Lembro-me estar ausente De minha filha tão amada, Meu coração é frio e triste Minha alma de seta traçada. Nota 12; Os dezoito anos é o tempo em ela já morava no Córrego de Santo Antonio, como eles mudaram para lá em 1932, deduz-se que estes versos foram escritos em 1950, aproximadamente. Nota13: Mata – Córrego do Palmital, em Itanhomi. Nota 14: O parêntese (filha) foi acrescentado por mim, pois me pareceu um lapso a omissão desta palavra. 113 Meus olhos vivem chorando Sempre amagoada e borrecida, E nem poço dizer nada Porque sou repreendida. 114 Tenho seis netinhos Da pátria é defensor, (nota 15) Desejo a eles mil felicidades É o que pesso a Nosso Senhor. 115 Pesso licença a vocês O assunto mudarei, Vou contar um terrível Em quarenta e nove pacei. 116 Dia onze de novembro – 1949 Mandaram-nos chamar, Papai estavas nas últimas Só faltavas a esperar. 117 Saimos, eu e meu irmão Eras sinco horas da tarde, Iamos a pé quasew noite E com grande tempestade. 118 Fomos até Manoel Cizílio Estivemos ahi que ficar, A noite estavas chuvosa e escura Não podíamos caminhar. 119 Aquela noite para mim Foram horas atormentosa, Aflita que o dia amanhecece, Para chegar em Ponte Nova. 120 Batendo quatro e meia Meu Deus que grande aflição, Meu irmão vamos chegar a rua Para apanhar a condução. 121 Chegando nós no Serra Um caminhão podemos arranjar (nota 15) Caminhão da Santa Helena Que ias até Canadá. Nota 15: Estes netos eram Adir (Dico), Calidonio (Do), Vicente (Totoca), José Cláudio (Caiau) e Jaeder José (Jaida). Nota 16: Fazenda Santa Helena – Usina de açúcar da região. Canadá – Localidade situada entre Amparo do Serra e Ponte Nova. 122 Eras chuvas e barros Grande tristeza e dificuldade Fasias pavor em ver-nos Quando cheguei na cidade. 123 Chegando eu em Ponte Nova Oh Jesus, que grande tristeza, Encontrei meu pai morto Depositado em uma mesa. 124 Eu pedi a Deus do Céo Que desses-me resignação, Dar-me força e coragem Para agüentar esta paixão. 125 Em ver meu pai morto Meu coração cortava, Os prantos de minha mão Entre ais se esclamava. 126 Entre prantos mamãe disias O mundo em mim acabou, Sesenta anos casados O ingrato marido me deixou. 127 O meu pai já estava morto Não sofria mais nada, Eu choravas em ver minha mãe Aquela alma benfazeja e dos filho amada. 128 Meu pai foi enterrado As sinco horas da tarde, Levado pelos grandes homens Da mais alta sociedade. 129 Minha mãe apaixonada Com lágrima e terno prantos, Quis ir com seus sobrinhos Para Felipe dos Santos. 130 Disses meu irmão Antonio Mamãe não quer ficar, Ela está muito idosa, Voce deves de acompanhar. 131 Mandei pedir um carro Prá estação nos levar, Para não ver a velha mãe Nas pedras duras pisar. 132 Chegando em Felipe dos Santos Parecia mais conçolada, Em casa de seu sobrinho De sua querida cunhada. 133 Mais do que sou infeliz No mundo não pode haver, Quanto eu faço para ser boa Mais defeito ei de ter. 134 Se não hoveces mulher Meu Deus que bom seria, Mulher boa não presta E a ruim não tem valia. 135 Este verços que aqui les É um analfabeto quem fez, Hortografia não tens Pois não conheces portuguez. 136 Estes verços foi escrito A em alta noite luz morteira, Sem receio me assino Maria do Nascimento Moreira. Nota: Termina aqui a narrativa. No final do manuscrito ela informa o seguinte: “Córrego de Santo Antonio, 22 de janeiro de 1950. Transcrito em 11 de outubro de 77. Vila Élida Rua 16 São Paulo Jardim Míriam.” 137 Hoje velhos aqui em São Paulo Mais junto de toda família, Vivendo de alguns juros Da pequena economia. Nota 17: Esta foi última estrofe foi escrita por Vó Maria .Se não mais o fez deve-se talvez a exaustão dos anos ou a certeza de já ter vivido todas as experiências dignas de nota. A pena se calou para sempre. Nota 18: Este texto foi digitado por José dos Reis Moreira, na Vila Élida, Rua 16 (atual Rua Maria da Conceição Moralle Miragaia, n° 95) São Paulo, em 19 de abril de 2010, A ortografia e a semântica foram mantidas, em respeito à memória da autora. F I M

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